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quarta-feira, 19 de outubro de 2011


Bilhete da Ousada Donzela
 


Jonathan,

há nazistas desconfiados.
Põe aquela sua camisa que eu detesto
- comprada no Bazar Marrocos -
e venha como se fosse pra consertar meu chuveiro.
Aproveita na terça que meu pai vai com minha mãe
visitar tia Quita no Lajeado.
Se mudarem de idéia, mando novo bilhete.
Venha sem guarda-chuva - mesmo se estiver chovendo -
Não agüento mais tio Emílio que sabe e finge não saber
que te namoro escondido e vive te pondo apelidos.
O que você disse outro dia na festa dos pecuaristas
até hoje soa igual música tocando no meu ouvido:
“Não paro de pensar em você.”
Eu também, Natinho, nem um minuto.
Na terça, às duas da tarde,
hora em que se o mundo acabar eu nem vejo.

Com aflição,

Antônia


(Adélia Prado)



''Olha, antigamente, quando chovia encarreirado igual tá chovendo agora, eu gostava de pedir à mãe pra fazer mingau de fubá. A gente bebia e se enfiava debaixo das colchas pra escutar chuva e ser feliz. '' 

(Adélia Prado)

sábado, 15 de janeiro de 2011

 
 
"(...) Hoje estou melancólica e suspirosa, choveu muito, a água invadiu este porão de lembranças, bóiam na enxurrada a caminho do rio. Deixo que naveguem, pois não as perderei. O rio é dentro de mim."

(Adélia Prado)
 
 
"Com perdão da palavra, quero cair na vida."

(Adélia Prado)
 
 
"Sofro por causa do meu espírito de colecionador-arqueólogo. Quero pôr o bonito numa caixa com chave para abrir de vez em quando e olhar."

(Adélia Prado)
 
 
"Meu Deus, me dê cinco anos. Me dá a mão, me cura de ser grande!"

(Adélia Prado)


"Tudo que eu sinto esbarra em Deus." 

(Adélia Prado)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011


"Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra."


(Adélia Prado)

"Com perdão da palavra, quero cair na vida."

(Adélia Prado)